Especialistas elogiam programa de satélites China-Brasil como modelo para esforços em ciência e tecnologia do BRICS

(Alpha Test Xinhua)

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Brasília, Brasil (Alpha Test Xinhua) – Um programa de satélite co-desenvolvido pela China e o Brasil é elogiado por especialistas como um modelo para a cooperação do BRICS, pois o fortalecimento dos laços em ciência, tecnologia e inovação entre os países do bloco se tornou prioridade para a próxima 11ª cúpula do BRICS a ser realizada na cidade.

O programa do Satélite de Recursos Terrestres China-Brasil (CBERS) desenvolvido pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (ACTE) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Brasil, está destinado a inspirar mais cooperação científica e tecnológica entre a China e o Brasil e também entre os países do BRICS.

Carlos Pereira, especialista brasileiro em satélites e gerente do programa CBERS disse à Xinhua que a cooperação começou em 1988, quando o Brasil e a China assinaram um acordo de parceria para desenvolver, construir e operar dois satélites de sensoriamento remoto — CBERS-1 e CBERS-2 — e desde então o programa já desenvolveu seis satélites.

Segundo Han Bo, pesquisador da ACTE para o programa CBERS, o sexto satélite, o CBERS 04A, que será lançado, fez pleno uso das conquistas da tecnologia espacial da China e do Brasil.

Han disse à Xinhua que o CBERS 04A é um satélite de sensoriamento remoto ótico com grande largura e alta precisão, desenvolvido conjuntamente pela China e o Brasil e estará operando na órbita heliossíncrona em uma altura de 628 quilômetros.

“A carga do satélite é projetada de acordo com as necessidades específicas de usuários chineses e brasileiros. Equipado com cargas de alta, média e baixa resolução, o satélite pode atender às necessidades específicas de aplicação da China e do Brasil nas áreas de recursos naturais, geologia e mineração, silvicultura, agricultura, proteção ambiental e redução de desastres”, acrescentou.

Pereira também acredita que, depois de entrar em operação, o satélite contribuirá para o desenvolvimento econômico, proteção ambiental, planejamento urbano, e prevenção e redução de desastres tanto na China quanto no Brasil.

“O programa CBERS estabelece um sistema de sensoriamento remoto completo para fornecer a ambos os países imagem multiespectral de sensoriamento remoto, e transformou o Brasil no maior distribuidor de imagens de satélite gratuitas do mundo”, afirmou ele.

A ACTE é a primeira instituição na China a realizar a tarefa de desenvolver naves espaciais. O Inpe, com sede na cidade brasileira de São José dos Campos, no Estado de São Paulo, é uma instituição especializada em pesquisa científica espacial e desenvolvimento de naves espaciais. Ela possui o melhor centro de montagem e teste de satélites e os melhores pesquisadores da América do Sul.

Desde o final dos anos 1980, as duas instituições uniram forças para executar o programa CBERS e desenvolveram um método de gestão para programas aeroespaciais de alta tecnologia que transcende fronteiras e culturas. Essa parceria foi elogiada como um modelo para a cooperação Sul-Sul na indústria espacial.

Segundo Pereira, todas as atividades em nível de sistema, como a integração e teste de montagem, especificações de sistema e revisões de projeto, são realizadas conjuntamente pelo Inpe e a ACTE.

A fim de ajudar a aprofundar as relações entre os dois países no futuro, Han disse que a ACTE continuará a trabalhar estreitamente com o Inpe de maneira cooperativa, inclusiva e baseado em ganhos mútuos, e a aprimorar o uso de satélites, fornecendo melhores dados e serviços de sensoriamento remoto para os usuários dos dois países.

Pereira acredita que mais cooperação pode ser obtida no clima espacial, novos projetos de satélite conjuntos e projetos de pesquisa e treinamento.

Pereira, Han e outros membros da equipe do programa CBERS estão fazendo os preparativos finais para garantir a conclusão bem-sucedida da missão de lançamento do CBERS 04A.

O tema da cúpula do BRICS deste ano, que será realizada nos dias 13 e 14 de novembro, é “Crescimento Econômico para um Futuro Inovador”.

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