Negros e pardos são maioria em universidades públicas pela 1ª vez, mas desigualdade permanece, diz IBGE

Rodrigo Viga Gaier (Alpha Test Reuters)

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Rio de Janeiro, Brasil (Alpha Test Reuters) – Os negros e pardos se tornaram, pela primeira vez, maioria nas universidade públicas brasileiras, segundo pesquisa do IBGE divulgada nesta quarta-feira, que apontou, no entanto, que eles ocupam menos cargos gerenciais, têm mais dificuldade de acessar o mercado de trabalho, são as principais vítimas de violência e estão sub-representados no Legislativo.

Segundo a Pesquisa de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça, os negros e pardos representavam 50,3% dos estudantes de universidades públicas brasileiras em 2018 — a primeira vez desde o início do levantamento, em 2012, em que eram a maioria dos estudantes de faculdades públicas do país.

A criação em governos anteriores do regime de cotas universitárias foi apontada pelo IBGE como principal responsável pelo maior acesso de negros e pardos às universidades públicas brasileiras.

“É a primeira vez que temos mais pretos e pardos nas universidades públicas do que brancos. Isso mostra um acerto da política de cotas, mas ainda há avanços que precisam ser conquistados”, avaliou o pesquisador Cláudio Crespo, do IBGE.

No mercado de trabalho, no entanto, 64,1% dos desempregados eram negros ou pardos em 2018, e 66,1% eram subutilizados (trabalhavam menos horas do que gostariam). Além disso, somente 29,8% dos negros ou pardos ocupavam cargos gerenciais, e dos 10% mais pobres do país, 75,2% eram negros ou pardos.

O levantamento também apontou que os índices de violência aumentaram em 2017 para negros e pardos. A taxa de homicídio para essas pessoas atingiu 43,4 para cada 100 mil habitantes, enquanto para brancos era de 16 para cada grupo de 100 mil. Em 2012, a taxa de homicídio entre negros e pardos era de 37,2 para cada 100 mil pessoas.

“Isso significa dizer que uma pessoa preta ou parda tinha 2,7 vezes mais chance de ser vítima de um homicídio do que um branco”, afirmou Crespo. “As condições de vida dos negros e pardos, que vivem em áreas menos favoráveis, mais violentas, com menor assistência do Estado, e, até a dificuldade no mercado de trabalho, colocam essas pessoas pretas e pardas em maior vulnerabilidade”, afirmou.

Negros e pardos também são sub-representados no Parlamento brasileiro, de acordo com a pesquisa do IBGE.

Apesar de representarem 55,9% da população brasileira, o Congresso tinha apenas 24,4% de negros ou pardos em 2018. No ano passado, dos eleitos para as Assembleias Estaduais, apenas 28,9% eram negros ou pardos, enquanto nas eleições de 2016 para Câmaras Municipais 42,1% dos eleitos eram negros ou pardos.

“Esse é um espaço importante para tomada de decisões, de poder, e, nesse espaço, pretos e pardos estão sub-representados. Quanto maior a esfera de poder, menor a representação”, disse Crespo. “O que pode impulsionar uma campanha é a capacidade de financiamento, e quando se desagrega as campanhas se vê que aqueles candidatos que tiveram ao menos 1 milhão (de reais) de recursos para a campanha, aí se tem menos pretos e pardos”.

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