O “Green New Deal” nos debates dos pré-candidatos presidenciais de 2020 nos EUA

Diferentes propostas “eco-keynesianas” de pré-candidatos democratas para enfrentar as mudanças climáticas e renovar a infraestrutura com tecnologias “verdes”

Flaviana Serafim (Fusion Agência) (Alpha Test)

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São Paulo, Brasil (Alpha Test Fusion)As mudanças climáticas ganharam outro patamar na opinião pública dos Estados desde o Green New Deal, resolução que define metas e propostas para controlar as emissões de carbono antes que seja tarde demais para reverter os impactos do aquecimento global, apresentada ao Congresso em fevereiro pela representante da Câmara Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Ed Markey, ambos do Partido Democrata. 

Para reduzir a temperatura em 1,5º Celsius e evitar que o aquecimento global provoque efeitos piores, o documento de 14 páginas propõe mudanças estruturais severas nos Estados Unidos, com medidas de curto e médio prazo para reduzir de 40% a 60% as emissões de gases do efeito estufa e chegar a emissão zero em 2050.

O Green New Deal viria acompanhado da criação de milhões de empregos “de bons salários” para “garantir a prosperidade e a segurança econômica para todos os povos dos Estados Unidos” com as inovações e tecnologias necessárias à meta, como o documento destaca.  

Custo é um dos desafios

O que Donald Trump pensa a respeito? Em entrevista à Fox News, o presidente dos Estados Unidos disse que quer que o debate continue avançando porque é a “coisa mais absurda”, vai ser “fácil de bater” e ele fará campanha contra.

Apesar disso, o Green New Deal foi votado em março no Senado e Alexandria prepara um esboço detalhado de projetos menores como estratégia para que a proposta avance – o que não significa que exista algo perto de sair do papel.

Entre os desafios a enfrentar no Congresso, o principal é o alto preço: de 51 trilhões a 93 trilhões de dólares, aponta estudo conjunto da Competitive Enterprise Institute (CEI) e da Power the Future divulgado no final de julho.  

De acordo com o levantamento, no primeiro ano o custo adicional à cada família é estimado em 100 mil dólares em estados como o Alasca, onde o clima frio é responsável pela dependência de combustíveis fósseis, e cairia para US$ 67,5 mil após o sexto ano de implementação do  Green News Deal.

Na Flórida e no México, o aumento dos gastos das famílias com eletricidade, modernização de veículos, habitação e transporte chegaria a 70 mil dólares inicialmente e cairia para US$ 37 mil depois de seis anos. 

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A proposta é realmente ousada e aposta em transformações profundas em setores de infraestrutura, construção, energia, agrícola e automotivo.

As mudanças também envolvem toda a cadeia produtiva, tais como   modernização para redes de energia inteligentes e acessíveis; edifícios com eficiência energética e hídrica; tecnologia para produção agrícola e apoio à agricultura familiar; veículos com emissão zero;  investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e nas indústrias de energia limpa e renovável; diversificação de negócios em investimentos locais e regionais. 

A resolução contempla ainda uma série de políticas para promover bem-estar, equidade e justiça social, desde apoio e reparação a comunidades vulneráveis como negros, povos indígenas e imigrantes à universalidade de direitos como férias pagas, aposentadoria, assistência médica adequada, segurança e saúde no trabalho, passando ainda por alimentação saudável, entre outros. 

Flaviana Serafim

#flaviana.fusion

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