Greve mundial mobiliza jovens com apoio de adultos contra mudanças climáticas

Protestos precedem a Cúpula do Clima da ONU, que começa dia 23 unindo governos, empresas e sociedade civil em torno de compromissos para redução das emissões de carbono

Flaviana Serafim (Alpha Test Fusion Today)

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São Paulo, Brasil (Alpha Test Fusion Today)A “Greve pelo Clima” é neste 20 de setembro, unindo jovens e adultos em mais de 150 países numa mobilização multigeracional para cobrar dos governos e da Organização das Nações Unidades (ONU) medidas contra as mudanças climáticas.

O protesto ocorre concomitantemente à realização da Cúpula do Clima da ONU, que começa dia 23, em Nova York, e marca o início da Semana do Clima, até o dia 27, data da próxima greve mundial. 

Entre outras reivindicações para barrar o aumento da temperatura climática e seus efeitos, o movimento busca ações práticas para transição, até 2030, dos combustíveis fósseis para fontes de energia limpa e renovável, com transição justa, equitativa e criação de empregos.

A proteção da biodiversidade e ecossistemas, interrupção dos desmatamentos bem como o fim da extração de recursos e de obras que afetam terras indígenas e outras áreas de proteção ambiental também estão na pauta.  

Nos Estados Unidos, a proposta dialoga com a resolução Green New Deal, proposta apresentada ao Congresso no início do ano pela representante da Câmara Alexandria Ocasio-Cortez e pelo o senador Ed Markey, ambos do Partido Democrata, e que visa uma série de medidas concretas para reverter o aquecimento global com a redução dos gases do efeito até chegar a emissão zero, em 2050.  

No Brasil, as manifestações ocorrem em dezenas de cidades (confira os locais confirmados), liderada pela #FridaysForFuture Brasil e a participação de organizações como a União Nacional do Estudantes (UNE). A entidade defende que a biodiversidade e as oportunidades de pesquisas científicas sejam considerados riquezas para servir à soberania nacional. 

“Vamos nos somar à greve mundial do clima por entender que o debate ambiental é fundamental para a defesa e sobrevivência da humanidade, mas também pela soberania do nosso país. A Amazônia é uma das maiores riquezas naturais do mundo que está presente aqui e precisa ser tratada como patrimônio do povo brasileiro”, afirma Iago Montalvão, presidente da UNE. 

Para o estudante de economia da Universidade de São Paulo, as queimadas aumentaram porque o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) criou o cenário “ao dar aval à ação de latifundiários e madeireiras, e ao negar evidências e dados para não criar políticas de preservação”. 

FOTO: Jovens discutindo as ODS 2030 CRÉDITO: ONU / Site da Cúpula da Juventude na “Climate Action Summit”

Juventude debate na Cúpula da ONU

Neste dia 21, pela primeira vez a ONU realiza a Cúpula do Clima da Juventude, onde jovens lideranças vão debater e apontar soluções aos tomadores de decisão antes do início da Cúpula do Clima, quando governos, empresas e representantes da sociedade civil devem ampliar os compromissos para reduzir as emissões de carbono em pelo menos 45% até 2030.  

Presença principal na Cúpula da Juventude, a sueca Greta Thunberg, 16, que lidera o movimento #FridaysForFuture. Ela chegou aos Estados Unidos no final de agosto, depois de duas semanas viajando num barco sustentável pelo Atlântico.  

A greve que se tornou mundial e hoje chama atenção em todo o mundo partiu da iniciativa solitária de Thunberg, que aos 15 anos decidiu faltar às aulas nas sextas-feiras para protestar em frente ao parlamento de seu país. Desde então o movimento cresce em todo o mundo e envolve mais de 4.800 cidades segundo o mapa da #FridaysForFuture

Nas redes sociais a hashtag #ClimateStrike mostra a adesão à greve nesta sexta-feira, desde a ampla participação em lugares como Melbourne, na Austrália, onde mais de 100 mil pessoas foram às ruas, até grupos de algumas dezenas de participantes das etnias melanésias em Port Vila, em Vanuatu, pequeno país entre arquipélagos do Pacífico, próximo da Nova Zelândia. 

Missão Chico Mendes

Numa reação às queimadas na floresta amazônica, a UNE acaba de criar a Missão Chico Mendes em parceria com outras organizações estudantis, como a Associação Nacional dos Pós Graduandos.

A missão é formada por brigadas para prestação de serviços sociais buscando usar o conhecimento produzido nas instituições de ensino para redução dos impactos das queimadas e para intercâmbio entre estudantes e comunidades locais. 

FOTO: Estudantes, pesquisadores e professores da Missão Chico Mendes LOCAL: Rumo à Humaitá, Amazonas DATA: Setembro/2019

“A missão surgiu nesse momento político de muita preocupação com a Amazônia. Apesar da UNE sempre ter tido envolvimento com a pauta ambiental, quando se chegou numa situação extrema, tentamos criar atividades e iniciativas que contribuíssem com o debate em defesa da Amazônia”, explica o presidente da UNE. 

A iniciativa começa por Altamira, no Pará, município atingido por cerca de 1.630 focos de incêndio nos últimos cinco meses de acordo com dado da UNE. No último dia 18, um grupo de estudantes, professores e pesquisadores chegou a Humaitá, no sul do Amazonas, para conferir, documentar e avaliar o impacto do fogo para manejo e recuperação do solo e para cuidar da saúde da população afetada pela fumaça das queimadas. 

A missão se realizará também em Apuí (AM), Caracaraí (RR), Lábrea (AM), São Félix do Xingu (PA), Novo Progresso (PA), Colniza (MT), Novo Aripuanã (AM), Itaituba (PA) e  Porto Velho (RO).

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