Fórmula-E no Brasil segue indefinida

Apesar de São Paulo ter ficado fora do calendário da próxima temporada, processo para realização da corrida em 2021 vai continuar

Flaviana Serafim (Fusion Today) (Alpha Test)

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São Paulo, Brasil (Alpha Test Fusion Today)A saga para realização da Fórmula E, com seus carros elétricos, vai continuar no Brasil, apesar da capital paulista ter ficado fora da temporada 2019/2020, recém divulgada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

A data da corrida em São Paulo, programada pela FIA para 24 de janeiro de 2020, ficaria muito próxima a de outro evento automotivo da capital, o Endurence Brasil, em 1º de fevereiro do próximo ano.  

Para manter as negociações com a FIA, ainda que a corrida fique só para 2021, a prefeitura segue tentando mudar a data e propôs à Federação “uma transferência para o segundo trimestre, entre abril e julho, o que também evitaria o período de chuvas fortes do começo do ano”, explica Orlando Faria, secretário municipal de Turismo de São Paulo. 

Os contatos entre o governo municipal e a organização da Fórmula-E começaram quando João Doria (PSDB) ainda estava na prefeitura. Quase foi fechado um acordo para realização da corrida no Anhembi, zona norte da capital.

Porém, Doria decidiu vender o complexo do centro de eventos, exposições e o sambódromo do Anhembi, e o projeto voltou temporariamente à estaca zero. O Parque do Ibirapuera foi cotado para receber a corrida, mas a ideia não avançou. 

As negociações, retomadas pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) no ano passado, seguiram até abril último, quando a FIA disponibilizou a data e a prefeitura já havia fechado o acordo para a Endurence Brasil.Agora, a expectativa da prefeitura paulistana é por uma resposta no próximo mês.

Para além de uma data, o que está em debate com a FIA também é a preocupação ambiental da federação com o evento, uma vez que a mudança no calendário implicaria em deslocar todo o “circo” da F-E para Brasil entre a realização de duas corridas na Europa. 

Apesar do conflito de datas e da sustentabilidade em jogo, Faria diz que a política da secretaria “é priorizar os grandes eventos internacionais que garantem a ocupação dos hotéis nos finais de semana”, e assim as tratativas com a FIA vão continuar, garantiu o secretário de Turismo. 

Velocidade sustentável em alta

Segundo os defensores da competição no Brasil, da mesma forma que a tradicional Fórmula 1, a Fórmula E vai gerar empregos e trazer milhões de Reais à capital paulista, com a vantagem da tecnologia limpa e o incentivo à mobilidade elétrica por energia eólica e solar no país – isso caso São Paulo se una, em 2021, às outras doze cidades onde ocorre a competição, como Berlim, Londres, Hong Kong, Nova Iorque, Paris e Santiago.

A Fórmula 1 enfrenta uma crise mundial em meio aos altos custos, com perda de público em outros países, mas diferente do Brasil onde em 2018 o público aumentou quase 6,5% na comparação com o ano anterior, e o faturamento cresceu 20% no mesmo período, chegando a R$ 334 milhões por atrair também turistas dos países vizinhos, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo. 

Mundialmente, a F-1 continua passando em alta velocidade e a quilômetros de distância de qualquer coisa que tenha a ver com sustentabilidade. Ao contrário, a competição gera uma imensa pegada de carbono. Cada carro de F-1 emite cerca 500 quilos de CO²  por corrida, segundo estudo da Unicamp sobre o impacto ambiental do automobilismo. 

Considerando o total de carros e equipes da temporada atual, são 10 toneladas de gás carbônico cada vez que o “circo” da Fórmula 1 toma conta de um autódromo, ou 210 toneladas em todas as corridas até o final de 2019.

O impacto é ainda maior se for considerada a pegada de carbono gerada por toda a logística para transportar a estrutura necessária entre os países que integram o circuito. 

Já na F-E o automobilismo é reinventado combinando a paixão dos aficionados por corridas a soluções sustentáveis para “tornar a mobilidade elétrica uma realidade global”, “derrubar barreiras ao mercado de veículos elétricos” e inovar “inspirando gerações a adotar mobilidade sustentável”, como afirma a patrocinadora internacional da competição ABB, multinacional com sede em Zurique, Suíça, que atua na área de automação industrial, robótica e energia. 

Tecnologia acelera nas pistas

Os veículos Gen2 são as estrelas da competição na temporada 2018/2019, com 250 kW de potência, vão de zero a 100 km em 2,8 segundos, chegando a 280 km por hora e sem necessidade de troca do carro no meio da corrida. 

Com poucos mais de cinco metros de comprimento e quase 1,8 metros de largura, cada Gen2 pesa 900 quilos, dos quais 385 kg de bateria, o dobro de capacidade de armazenamento de energia na comparação com o modelo Gen1 usado nas primeiras temporadas da Fórmula E.

A atualização do modelo ainda reduziu a asa traseira e deu maior aderência aerodinâmica para seguir outro carro de perto, ajudando nas ultrapassagens que fazem o público vibrar.  

De olho no mercado, a ABB é líder mundial em estruturas e soluções de recarga para veículos elétricos, e quer popularizar o uso dessa tecnologia em carros e no transporte coletivo. Daí a união com a FIA para realização da F-E como vitrine estratégica – “Vamos escrever o futuro. Juntos”, é o slogan da parceria. 

A ideia de uma série de corridas de rua com carros totalmente elétricos surgiu em março de 2011, quando Jean Todt, presidente da FIA, e o empresário espanhol Alejandro Agag estavam num restaurante em Paris e rascunharam num guardanapo o que se tornaria o futuro campeonato. 

A estreia foi três anos mais tarde, em 2014, no Parque Olímpico de Pequim. Hoje, a  Fórmula E conta com 11 equipes de montadoras como Audi, BMW, DS, Jaguar, Mahindra e Nissan, e público crescente nos cinco continentes. 

São Paulo no “Cidades Inteligentes”

A vinda da Fórmula E para São Paulo também colocaria a capital paulista na rota do Cidades Inteligentes, projeto da Federação Internacional de Automobilismo criado para incentivar debate e soluções de mobilidade urbana que reduzam a poluição, o congestionamento e aumentem a segurança, atendendo às metas de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas, a Agenda 2030 da ONU. 

Em todas as cidades que recebem a F-E, na sexta-feira anterior à corrida ocorre o Fórum de Cidades Inteligentes da FIA, reunindo especialistas de diferentes áreas da mobilidade sustentável, autoridades e institutos de pesquisa debatendo soluções mais limpas para um futuro sustentável. 

No local da competição, a F-E também tem seu “circo” dedicado aos fãs com atrações para o público adulto e infantil distribuídas em espaço de autógrafos, áreas de jogos e uma agência de sustentabilidade energética onde é possível montar um carro movido a energia solar e  descobrir como a energia é produzida.

O evento ainda conta com estande de soluções inovadoras com essa tecnologia, info points sobre tudo o que ocorre no evento, loja de souvenires e food trucks. 

Enquanto no Brasil a F-E é uma expectativa para o futuro, a corrida segue a mil em países como o vizinho Chile. Lá, a competição ocorre pela terceira vez em janeiro de 2020, em Santiago, no Parque O’higgins, o maior e mais importante da capital chilena, em circuito de rua todo arborizado e a vista das montanhas andinas no entorno. 

Flaviana Serafim

#flaviana.fusion

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