Para PT, Moro vira ministro de Bolsonaro após ser decisivo na eleição

Ricardo Brito; Edição de Alexandre Caverni (Agência Reuters) (Alpha Test)

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(Reuters) (Alpha Test) – A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), criticou duramente nesta quinta-feira em sua conta no Twitter a escolha do juiz federal Sérgio Moro para ser ministro da Justiça do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro.

“Moro será ministro de Bolsonaro depois de ser decisivo para sua eleição, ao impedir Lula de concorrer”, disse Gleisi.

“Denunciamos sua politização quando grampeou a presidente da República (Dilma Rousseff) e vazou para imprensa; quando vazou a delação de Palocci antes das eleições. Ajudou a eleger, vai ajudar a governar”, completou.

O candidato derrotado na eleição presidencial, o petista Fernando Haddad, também criticou a indicação.

“Se o conceito de democracia já escapa à nossa elite, muito mais o conceito de república. O significado da indicação de Sérgio Moro para ministro da Justiça só será compreendido pela mídia e fóruns internacionais”, disse Haddad no Twitter.

Petistas e simpatizantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram Moro um dos principais algozes do ex-presidente e já teciam críticas sob uma eventual participação dele no governo Bolsonaro, encarnou durante a campanha eleitoral o discurso antipetista.

A candidata a vice-presidente na chapa de Haddad, Manuela D’Ávila (PCdoB), também reagiu no Twitter à escolha de Moro para fazer parte do novo governo. “Ao aceitar o convite para ser Ministro da Justiça, Sérgio Moro decide tirar a toga para fazer política”, disse.

A defesa de Lula estava reunida nesta quinta-feira para avaliar o que fazer após a decisão de Moro, responsável pela condenação no processo do tríplex do Guarujá que abriu caminho para ele depois ser preso e ter se tornado ficha-suja, impedido de disputar a eleição.

Moro também é responsável por outros processos de Lula e no próximo dia 14 tinha marcado uma oitiva com o ex-presidente no caso do sítio de Atibaia.