Laura Carvalho: “Distribuir renda no Brasil sem mexer nos impostos é quixotesco”

(Alpha Test)  Laura Carvalho, economista e professora da USP, acaba de lançar Valsa Brasileira (editora Todavia), que já vai para a sua terceira reimpressão devido ao sucesso de vendas. Na obra, ela se debruça em números e comportamentos dos agentes políticos ao longo dos últimos governos petistas para buscar respostas para o “milagrinho” do crescimento econômico e distribuição de renda durante o Governo Lula e, em seguida, a desaceleração iniciada no Governo Dilma.

Seu diagnóstico não agrada nem a direita liberal e muito menos a esquerda desenvolvimentista. Ainda assim, Carvalho vem se consolidando como a principal voz progressista no campo da economia, destoando da maior parte dos seus colegas economistas no que se refere a receitas para o Brasil sair da crise. Neste ano, vem participando da formulação das propostas econômicas do pré-candidato a presidência Guilherme Boulos. Mas, em entrevista ao EL PAÍS, adverte:

“Eu sou eu, o Guilherme é o Guilherme. Tudo que estou falando aqui é por mim. Ajudei a fazer uma curadoria de reuniões com economistas que subsidiarão o programa econômico do PSOL. Como esse material vai se transformar em um documento do programa vai depender da coordenação de programa, da qual não faço parte”.

Carvalho é também uma das poucas economistas mulheres com voz de destaque no debate nacional — e prova disso é que todos os demais pré-candidatos contam com homens como principais assessores econômicos. Mas em um ambiente majoritariamente masculino, em que ainda há certa ideia de que “fazer contas não é algo para mulheres”, não apenas o machismo e o sexismo dão as cartas.

“Há também uma ideia de que economistas tem que ter certo discurso, certa cara de quem está vindo do mercado, de terno e gravata e que fala coisas que as pessoas não entendem. Há um respeito excessivo pelo homem que chega falando economês. E todo meu esforço tem sido desde sempre em não falar economês”, explica.

  • EFE Agência EFE